Sexta-feira, 09 de outubro de 2026 - [email protected]

Dor no pescoço, ombros e mãos: uso prolongado de telas pode sobrecarregar músculos e articulações


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_Postura inadequada, longos períodos sem pausa e movimentos repetitivos estão entre os fatores que podem favorecer dores e lesões; ortopedista orienta como reduzir os riscos_

O uso frequente de celulares, tablets, computadores e videogames faz parte da rotina de crianças, adolescentes e adultos. O problema não está apenas no tempo de exposição, mas também na forma como esses dispositivos são utilizados. Permanecer por longos períodos diante das telas pode provocar dores no pescoço, nos ombros, nos punhos e nos dedos, além de favorecer alterações posturais.

Entre os problemas mais comuns estão a chamada “síndrome do pescoço de texto”, causada pela inclinação prolongada da cabeça para olhar o celular, dores musculares, sobrecarga da coluna cervical, tendinites e inflamações dos tendões dos punhos e dos dedos. Também podem ocorrer formigamentos relacionados à compressão de nervos.

Segundo Fábio Pimentel, ortopedista e professor da Afya Cruzeiro do Sul, a sobrecarga está relacionada não apenas à duração do uso, mas à permanência prolongada em uma mesma posição e à repetição de determinados movimentos. Para o professor, alguns sinais exigem atenção: “quando a dor persiste por vários dias, piora durante o uso do aparelho, limita movimentos, vem acompanhada de formigamento ou perda de força, ou ainda desperta a pessoa durante a noite, é recomendável procurar avaliação médica. Nessas situações, o incômodo não deve ser tratado apenas como algo passageiro.”

Não existe um tempo máximo universal para o uso contínuo das telas, mas uma recomendação prática é fazer pausas a cada 30 a 60 minutos. Nesses intervalos, levantar-se, caminhar por alguns minutos e movimentar pescoço, ombros, punhos e mãos pode ajudar a reduzir a sobrecarga sobre músculos e articulações.

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Entre as posturas mais prejudiciais estão manter a cabeça inclinada para a frente durante muito tempo, utilizar o celular abaixo da linha dos olhos, permanecer sentado por várias horas sem apoio adequado para as costas e manter os punhos excessivamente dobrados enquanto segura o aparelho ou utiliza controles de videogame.

Dr. Fábio cita alguns cuidados simples ajudam na prevenção, como: posicionar a tela próxima à altura dos olhos, apoiar os braços sempre que possível, alternar atividades ao longo do dia e incluir exercícios físicos e períodos longe dos dispositivos na rotina. As pausas frequentes também são importantes para evitar que a mesma posição ou movimento seja mantido por tempo prolongado.

O uso intenso das telas pode ainda favorecer lesões por esforço repetitivo e tendinites, principalmente quando há movimentos constantes dos polegares e dos dedos, como ocorre durante jogos eletrônicos ou longos períodos de digitação. Quanto maior o tempo de atividade sem descanso, maior pode ser a sobrecarga dessas estruturas.

Alongamentos e movimentos leves também podem contribuir para aliviar a tensão muscular. Inclinações e rotações suaves do pescoço, alongamentos dos punhos, abertura e fechamento das mãos e exercícios para os dedos são algumas opções. Os movimentos devem ser feitos sem provocar dor.

A principal orientação, de acordo com Dr. Fábio, é buscar equilíbrio no uso da tecnologia. As telas fazem parte do estudo, do trabalho, do lazer e da comunicação, mas é importante intercalar esses períodos com movimento, atividade física e descanso. O uso consciente dos dispositivos ajuda a proteger a coluna, os músculos e as articulações e é especialmente importante durante a fase de crescimento de crianças e adolescentes.

 

Assessoria




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