
Corpo clínico afirma que medida será adotada a partir de 31 de julho caso não sejam quitados os pagamentos referentes aos meses de maio e junho; urgência e emergência continuarão sendo atendidas
Os médicos que atuam no Hospital Regional de Vilhena encaminharam uma notificação formal à direção da unidade, ao Conselho Regional de Medicina de Rondônia (Cremero), ao Grupo Chavantes, à Secretaria Municipal de Saúde e ao Ministério Público de Rondônia comunicando a possibilidade de paralisação parcial ética dos atendimentos médicos não urgentes.
O documento, datado de 22 de julho de 2026, estabelece que a paralisação terá início no dia 31 de julho caso não seja efetuado, até 30 de julho, o pagamento integral dos valores referentes aos serviços prestados nos meses de maio e junho deste ano.
Segundo os profissionais, apesar de sucessivas tratativas administrativas, os débitos permanecem em aberto, situação que, segundo o corpo clínico, tornou insustentável a continuidade dos atrasos remuneratórios.
Na notificação, os médicos afirmam que a suspensão será evitada apenas com a quitação integral dos débitos junto a todas as equipes e especialidades, ressaltando que pagamentos parciais ou destinados apenas a determinados grupos não serão aceitos como solução.
Atendimentos essenciais serão mantidos
Apesar da paralisação anunciada, os profissionais destacam que não haverá abandono dos plantões nem interrupção da assistência aos casos considerados prioritários.
Conforme o comunicado, continuarão sendo realizados normalmente os atendimentos de urgência e emergência, a assistência aos pacientes graves, o suporte aos internados e todos os procedimentos considerados inadiáveis ou que envolvam risco iminente à vida.
Os médicos afirmam ainda que a medida observa os limites previstos pelo Código de Ética Médica, pelas normas do Conselho Federal de Medicina e pela legislação vigente.
Regulações poderão ser suspensas
Caso a paralisação seja efetivada, também ficarão suspensas as novas admissões de pacientes encaminhados por meio da Central Estadual de Regulação (CRUE), da CEREL ou de outros fluxos regulatórios equivalentes, exceto nas situações de urgência, emergência e risco iminente.
Com isso, as centrais reguladoras foram comunicadas de que os casos não urgentes deverão ser direcionados a outras unidades hospitalares enquanto perdurar o movimento.
Movimento não tem caráter político, dizem médicos
No documento, os profissionais ressaltam que a decisão decorre exclusivamente da falta de pagamento pelos serviços médicos já prestados e afirmam que permaneceram trabalhando durante meses mesmo diante dos atrasos, buscando preservar a assistência à população e permitir uma solução administrativa.
Eles destacam ainda que o movimento “não possui caráter político, abusivo ou de abandono assistencial”, sendo classificado como uma paralisação ética parcial motivada pelo inadimplemento remuneratório.
O corpo clínico também informa que, após a regularização dos pagamentos e eventual retorno integral das atividades, passará a exigir que a remuneração referente ao mês anterior seja efetuada até o dia 20 de cada mês, admitindo, excepcionalmente, tolerância até o dia 25. Caso o prazo volte a ser descumprido, os médicos afirmam que a paralisação poderá ser retomada imediatamente, sem necessidade de nova negociação.
Até o momento, não havia manifestação oficial do Grupo Chavantes, da direção do Hospital Regional de Vilhena ou da Secretaria Municipal de Saúde sobre o teor da notificação encaminhada pelos profissionais.
Folha de Vilhena
