
O ofício enviado pelo prefeito Delegado Flori Cordeiro à Câmara de Vilhena, pedindo que o Legislativo elaborasse um projeto para reajustar os salários dos secretários municipais, acabou desencadeando uma decisão que também resultou no aumento dos subsídios dos vereadores. A solicitação do Executivo estimulou integrantes da Mesa Diretora a apresentarem a segunda proposta, aprovada na mesma sessão. Enquanto o reajuste dos secretários entra em vigor imediatamente, o dos parlamentares só produzirá efeitos na próxima legislatura.
Pela legislação, o prefeito não tem competência para aumentar os salários dos próprios secretários. Essa atribuição é exclusiva da Câmara Municipal. Por isso, Flori encaminhou o Ofício nº 473/2026, solicitando que o Legislativo elaborasse e apreciasse o projeto de lei. A matéria foi apresentada pela Mesa Diretora e levada à votação em regime de urgência.
No documento, o prefeito argumenta que os secretários estavam com os subsídios defasados desde 2013 e defende a valorização dos cargos. Embora o reajuste aprovado tenha ficado em cerca de R$ 6 mil, o ofício encaminhado pelo Executivo fazia referência à possibilidade de fixação dos subsídios em valor superior, cabendo aos vereadores definir o montante final.
Solicitação estimulou proposta para os vereadores
A iniciativa do Executivo de buscar um reajuste imediato para o secretariado acabou incentivando integrantes da Mesa Diretora a apresentarem também um projeto para atualizar os subsídios dos vereadores.
A principal diferença entre as duas matérias é que o reajuste dos secretários passa a valer imediatamente, beneficiando os atuais ocupantes dos cargos, enquanto o aumento aprovado para os vereadores somente terá validade na próxima legislatura, conforme determina a legislação.
As duas propostas foram apreciadas na mesma sessão, provocando ampla repercussão entre a população.
Prefeito tenta se desvincular da repercussão
Após a reação negativa provocada principalmente pelo aumento dos vereadores, o prefeito passou a afirmar nas redes sociais que não teria relação com a decisão do Legislativo.
Respondendo a uma internauta, Flori escreveu:
“Além disso o que o prefeito Flori tem a ver com o aumento que os vereadores aprovaram?”
Na mesma manifestação, afirmou ainda que uma “boa leitura do artigo 144 da Constituição pode melhorar o entendimento sobre quem o cidadão deve cobrar sem que fale coisa sem fundamento”.
Embora o projeto que reajustou os subsídios dos vereadores tenha sido de autoria da Câmara Municipal, o debate sobre a atualização da remuneração dos agentes políticos começou após o Executivo encaminhar o ofício solicitando o reajuste dos secretários, iniciativa que acabou estimulando a apresentação da proposta destinada aos parlamentares.
Como votaram os vereadores
Na votação do projeto que reajustou os subsídios dos secretários municipais, o vereador Samir Ali foi o único a votar contra. O presidente da Câmara, Celso Machado, embora tenha se posicionado publicamente contrário à proposta, não participou da votação, uma vez que o Regimento Interno não lhe confere direito a voto nesse tipo de matéria, salvo nas hipóteses previstas em lei.
Já no projeto que atualizou os subsídios dos vereadores, os votos contrários foram de Samir Ali, Celso Machado, Oziane Germiniano e Eliton Costa.
Com a aprovação das duas matérias, os reajustes foram confirmados. Enquanto o aumento destinado aos secretários municipais passa a vigorar de forma imediata, a atualização dos subsídios dos vereadores somente entrará em vigor na próxima legislatura. A sequência dos acontecimentos continua repercutindo em Vilhena, especialmente porque o pedido formal do Executivo para reajustar os salários do secretariado acabou servindo de ponto de partida para a discussão que também resultou no aumento dos vencimentos dos parlamentares.
Folha de Vilhena
