
A disputa envolvendo o futuro do Hospital Regional de Vilhena ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (8), após a Prefeitura confirmar o envio à Câmara de Vereadores de um projeto de lei que autoriza a doação, com encargos, do prédio da unidade ao Governo de Rondônia. O anúncio reacendeu o debate sobre a transferência da gestão do hospital e intensificou o confronto de narrativas entre o Executivo municipal e o Governo do Estado.
A polêmica teve início no último fim de semana, quando o Governo de Rondônia tentou substituir a Organização Social responsável pela administração do hospital, atualmente exercida pela Santa Casa de Misericórdia de Chavantes, contratada ainda durante a gestão municipal há cerca de quatro anos.
A iniciativa acabou sendo questionada judicialmente, e decisões liminares mantiveram a Chavantes na administração da unidade, pelo menos até nova deliberação da Justiça.
Para o vereador Samir Ali, um dos principais críticos da condução do processo, o que se vê atualmente é um “confronto de narrativas”, no qual a população acaba sendo prejudicada pela falta de clareza sobre a real posição da Prefeitura.
“O prefeito confunde as pessoas. Parece até uma coisa feita de propósito. Enquanto isso, quem sai prejudicada é a população de Vilhena”, afirmou o parlamentar.
Mudança de discurso
Segundo Samir Ali, o atual posicionamento do prefeito Flori Cordeiro contrasta com a postura adotada há pouco mais de um ano, quando a própria Prefeitura anunciou, de forma pública e comemorada, a transferência da gestão do Hospital Regional para o Governo do Estado.
Na época, o município defendia que não era mais possível manter sozinho os custos de uma unidade que atende não apenas moradores de Vilhena, mas pacientes de todos os municípios do Cone Sul de Rondônia, além de cidades do Mato Grosso e até da Bolívia.
Desde a assinatura do termo de transferência, argumenta o vereador, o Estado passou a custear as despesas da unidade, preparando a efetivação definitiva da mudança administrativa.
No entanto, quando o Governo decidiu alterar a organização social responsável pela gestão do hospital, a Prefeitura passou a contestar a medida, defendendo a permanência da atual administradora.
“Não houve um diálogo honesto com a população sobre qual é, afinal, a posição da Prefeitura. Primeiro comemorou a entrega do hospital ao Estado. Agora critica justamente o Estado por exercer uma atribuição que lhe foi repassada”, afirmou Samir Ali.
Doação do prédio
A discussão ganhou novo elemento nesta quarta-feira com o anúncio do envio do projeto de lei que autoriza a doação do imóvel do Hospital Regional ao Governo de Rondônia.
Ao justificar a medida, o prefeito Flori Cordeiro afirmou que o Estado necessita ser proprietário da área para poder realizar investimentos estruturais na unidade.
Segundo ele, enquanto o imóvel permanecer pertencendo ao município, o Governo encontra limitações para executar reformas, ampliações e novas obras.
“Já temos assinado um instrumento irretratável e irrevogável. A transição está documentada, está formalizada”, declarou o prefeito.
Para Samir Ali, a declaração reforça aquilo que vinha sendo defendido anteriormente pelo próprio município e evidencia uma incoerência em relação às críticas feitas contra o Governo durante a tentativa de substituição da organização social.
Debate deve continuar
Com o projeto de doação chegando à Câmara Municipal e as ações judiciais sobre a gestão do hospital ainda em andamento, a expectativa é de que a discussão continue nos próximos dias, tanto no Legislativo quanto na Justiça.
Enquanto Prefeitura e Governo apresentam versões distintas sobre a condução do processo, a população segue acompanhando os desdobramentos da transferência da unidade hospitalar, considerada uma das mais importantes da região sul de Rondônia.
Folha de Vilhena
