
A jovem Pietra de Lima Moreira, de 21 anos, vítima de um grave acidente de motocicleta em Aripuanã (MT), segue internada em estado crítico à espera de uma vaga em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) especializada em neurologia. A solicitação de transferência foi registrada no Sistema de Regulação (Sisreg) desde a noite de quinta-feira (28), mas até o momento a paciente permanece no Hospital Municipal Santo Antônio, sem acesso ao leito necessário para o tratamento.
Filha de Patrícia de Lima Moreira, Pietra mora na Avenida dos Patos, nº 522, Bairro Vila Operária, em Aripuanã. A paciente está cadastrada no Sistema Único de Saúde (SUS) sob o Cartão Nacional de Saúde (CNS) nº 898004880633501.
De acordo com a documentação médica encaminhada à Central Estadual de Regulação de Mato Grosso, a jovem foi encontrada desacordada em via pública após o acidente, apresentando sangramento ativo na região occipital da cabeça. O laudo informa que ela foi socorrida por terceiros e levada ao hospital deitada na poltrona de uma caminhonete.
Diante da gravidade do quadro, a equipe médica realizou imediatamente a intubação orotraqueal e um acesso venoso central pela clavícula direita, estabilizando a paciente para os procedimentos emergenciais.
A solicitação de vaga foi registrada no Sisreg sob o código 670555242, às 21h13min45s do dia 28 de maio, pelo médico Dr. Edomir Maciel Dutra, que classificou o caso como emergência com necessidade imediata de UTI neurológica.
Lesões cerebrais graves
Os exames de tomografia revelaram um quadro extremamente preocupante. Segundo o laudo, Pietra apresenta:
Edema cerebral difuso;
Contusão hemorrágica na região frontal esquerda;
Hemorragia subaracnóidea traumática na fissura inter-hemisférica;
Sinais de hipertensão intracraniana.
Os médicos também identificaram afundamento de crânio na região occipital/parietal, compatível com traumatismo cranioencefálico grave.
Na admissão hospitalar, a paciente apresentava pressão arterial de 117/78 mmHg, frequência cardíaca de 69 batimentos por minuto, temperatura corporal de 36,7°C e saturação de oxigênio de 99% com suporte ventilatório. O prontuário registra ainda rebaixamento importante do nível de consciência, além de quadro de desidratação e hipocoramento.
Os exames laboratoriais apontaram hemoglobina de 12,2 g/dL, leucócitos em 11.200, plaquetas em 192 mil, além de D-Dímero superior a 5.000, indicador frequentemente associado a traumas graves. Os exames de PCR e Beta HCG apresentaram resultados negativos.
Busca por vaga esbarra na falta de leitos
Desde o registro da solicitação, a Central de Regulação realizou consultas a diversos hospitais de referência do Estado. Entretanto, todas as unidades contatadas responderam informando indisponibilidade de vagas em UTI adulto.
Entre os hospitais consultados estão o Hospital Metropolitano de Várzea Grande, Hospital Estadual Santa Casa, Hospital Geral de Cuiabá e Hospital Hilda Strenger Ribeiro.
Mesmo diante da gravidade do quadro, a paciente permaneceu internada na Sala Vermelha do Hospital Municipal de Aripuanã, recebendo suporte intensivo enquanto aguarda transferência.
Justiça determina transferência emergencial
Diante da demora na disponibilização do leito, a família ingressou com ação judicial e obteve decisão favorável.
Em despacho expedido pela Justiça de Mato Grosso, foi determinada a transferência emergencial de Pietra para uma unidade hospitalar apta ao tratamento neurológico intensivo, inclusive em hospital particular ou em outro estado, caso necessário.
A decisão estabelece que o Estado de Mato Grosso e o Município de Aripuanã adotem todas as providências necessárias para garantir atendimento adequado à paciente, incluindo transporte por UTI móvel terrestre ou aérea.
Enquanto a vaga não é disponibilizada, familiares seguem mobilizados e cobram uma solução urgente. O caso tem gerado grande comoção em Aripuanã, onde amigos e parentes realizam manifestações e campanhas nas redes sociais para chamar a atenção das autoridades de saúde.
A expectativa da família é que a transferência ocorra o mais rápido possível, já que o estado clínico da jovem continua sendo considerado gravíssimo pelos médicos responsáveis pelo atendimento.
Folha de Vilhena

