
A crise envolvendo os atrasos salariais na saúde pública de Vilhena continua provocando tensão entre médicos e a empresa responsável pela gestão do Hospital Regional. Nos bastidores, profissionais avaliam que a postura adotada pela Santa Casa Chavantes demonstra um método de pressão para evitar manifestações públicas e movimentos de paralisação.
O episódio mais recente aconteceu após médicos anunciarem a possibilidade de suspender atendimentos eletivos e manter apenas casos de urgência e emergência devido aos pagamentos atrasados. Pouco depois da mobilização ganhar repercussão, uma equipe formada por sete novos profissionais chegou a Vilhena para substituir eventuais médicos que decidissem aderir ao movimento.
Para parte da categoria, a medida acabou sendo interpretada como uma forma de pressão indireta, criando um ambiente de insegurança entre profissionais que já convivem com salários em atraso e incertezas sobre os pagamentos.
A situação reforça a percepção de que o método adotado pela empresa seria utilizar a própria fragilidade financeira dos trabalhadores para desestimular posicionamentos públicos e evitar paralisações que exponham ainda mais a crise na saúde municipal.
Outro ponto que gera questionamentos é o fato de que toda a estrutura utilizada nessa operação — incluindo contratações emergenciais, deslocamentos e manutenção dos serviços — acaba sendo custeada com dinheiro público, oriundo dos cofres do município e pago pelo contribuinte vilhenense.
Um dos principais críticos da situação é o cirurgião Celso Machado, que também preside a Câmara de Vereadores de Vilhena. Nos últimos meses, ele tem usado a tribuna do Legislativo para questionar a gestão da saúde e os problemas envolvendo os contratos administrados pelo grupo responsável pelas unidades hospitalares.
Segundo informações apuradas, a Prefeitura de Vilhena realizou recentemente um repasse financeiro à Chavantes, que posteriormente encaminhou os valores à empresa responsável pelos contratos médicos. No entanto, profissionais relatam que ainda existem pendências salariais.
Enquanto isso, permanece o clima de instabilidade entre os profissionais da saúde, em meio à preocupação de que o impasse continue afetando diretamente o atendimento à população de Vilhena.
Folha de Vilhena

