
“Tem vítima que chorou na delegacia, relatando refinanciamento de dívida.” O relato é da delegada Adrian Viero, responsável pela Operação Rompere durante coletiva de imprensa concedida na manhã desta quarta-feira, 29 de abril.
Aproximadamente 90 pecuaristas foram prejudicados por um esquema criminoso envolvendo um frigorífico localizado em Guajará-Mirim. Algumas vítimas perderam tudo. O prejuízo chega a R$ 500 mil para algumas vítimas de acordo com a delegada.
Segundo apuração da Divisão de Repressão ao Patrimônio (DRP), a empresa investigada teria adquirido gado de diversos tipos junto a produtores rurais da região, com pagamento a prazo. As parcelas, no entanto, deixaram de ser pagas, e o que inicialmente vinha sendo encarado apenas como atrasos foi se revelando como um investimento sem retorno.
Ao tentar recuperar os valores e contatar a empresa, as vítimas ouviram um suposto pedido de recuperação judicial. Em janeiro, uma nova negociação foi proposta pelos pecuaristas, mas também não avançou.
O perfil dos prejudicados é variado, mas o sofrimento é comum. Conforme a delegada que conduz o caso, há relatos de produtores que refinanciaram dívidas para honrar compromissos e agora estão desamparados.
“Teve vítima que chorou na delegacia”, afirmou a autoridade policial, destacando que algumas famílias perderam o investimento de uma vida.
que diz a investigação
A Operação Rompere, coordenada pela Polícia Civil com apoio analítico da Secretaria de Estado de Finanças (SEFIN), apura crimes contra o patrimônio e crimes fiscais. Além do prejuízo de R$ 10 milhões às vítimas, há indícios de sonegação fiscal.
“O dinheiro sonegado é dinheiro que deixa de ser investido em políticas públicas”, pontuou a delegada, justificando a parceria entre o poder investigativo da polícia e a capacidade analítica do fisco.
A empresa é investigada por estelionato com contornos de organização criminosa. Os investigadores afirmam que o golpe não é novo – o que muda são as vítimas e os contornos.
Próximos passos
A operação ainda pode ter novas etapas No momento, as equipes trabalham na análise de todo o material apreendido nos mandados de busca e apreensão cumpridos na terça-feira (28), inclusive em estabelecimentos frigoríficos.
Portal SGC


