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Adolescente encontrada morta em Porto Velho foi retirada da escola há quase três anos, diz Seduc


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Marta Isabelle dos Santos, de 16 anos — Foto: Mateus Santos/g1

adolescente Marta Isabelle dos Santos, encontrada morta com sinais de tortura em Porto Velho, foi retirada da escola há quase três anos, segundo a Secretaria de Estado da Educação de Rondônia (Seduc). O afastamento ocorreu após um pedido de transferência para a Paraíba, mas familiares afirmam que a jovem não chegou a se mudar.

Marta foi encontrada morta dentro de uma casa na noite de terça-feira (24). O corpo apresentava sinais de tortura e maus-tratos. O pai da jovem, Callebe José da Silva, confessou que mantinha a filha amarrada todas as noites com fios elétricos.

De acordo com a Seduc, Marta manteve vínculo com a rede estadual até junho de 2023. Na época, o responsável legal solicitou a transferência da estudante para outro estado, documento que consta nos arquivos da Escola Estadual Jânio Quadros.

A Prefeitura de Porto Velho também informou que a adolescente não tinha vínculo com a educação municipal.

Em entrevista ao g1, uma das tias da menina disse que Marta permaneceu em Rondônia e não foi para a Paraíba. Segundo ela, a adolescente ficou sem estudar após a transferência solicitada pelo pai.

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A secretaria explicou que, em casos de transferência para outro estado, a emissão da declaração escolar ocorre a pedido do responsável e não exige comprovação de matrícula na unidade de destino.

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Ainda segundo a pasta, foram solicitados à escola todos os documentos e registros referentes ao período em que a adolescente esteve vinculada à rede estadual, para colaborar com eventuais esclarecimentos.

g1 entrou em contato com a Secretaria de Educação do Estado da Paraíba, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

O caso

 

Marta foi encontrada pela polícia deitada em uma cama, coberta por um lençol e usando fralda descartável. O laudo inicial indicou que ela estava desnutrida, tinha ossos expostos, ferimentos cheios de larvas e marcas indicando que ela passou dias imobilizada.

O pai da jovem, Callebe José da Silva, confessou que mantinha a filha amarrada todas as noites com fios elétricos e a deixava trancada em casa durante o dia. Testemunhas também relataram que ela sofria maus-tratos constantes, incluindo cortes de cabelo forçados como forma de punição.

A família foi presa por suspeita de crimes de tortura com resultado morte, cárcere privado, maus-tratos e omissão de socorro. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil.

Quem era Marta?

Conhecida pela família como Martinha, Marta Isabelle dos Santos, de 16 anos, gostava de cantar na igreja e sonhava em terminar os estudos. A adolescente morava com o pai e a madrasta em Rondônia, enquanto o restante da família vive na Paraíba.

Em entrevista ao g1, a tia de Marta contou que a jovem nasceu na Paraíba e, ainda criança, foi morar com o pai em Rondônia. Segundo ela, a última foto com a sobrinha é de agosto de 2020, no aniversário do próprio filho. Desde então, o contato entre elas diminuiu.

Um vídeo divulgado nas redes sociais de uma igreja mostra a adolescente cantando durante um culto. De acordo com a tia, esse foi o último registro em vida ao qual a família teve acesso (veja acima).

“Dizem que a gente sabia, mas não sabíamos de nada. Se soubéssemos, jamais teríamos permitido. Eles privaram ela de tudo: celular, redes sociais, contato com a família”, relatou.

A tia afirmou que a jovem era querida por todos e que ninguém tinha conhecimento das agressões.

“Martinha era muito amada. Tinha suas rebeldias de adolescente, mas era uma menina boa, sonhadora. Sonhava em estudar, terminar os estudos e construir um futuro. Nada justifica o que fizeram com ela”, disse.
Mesmo com a falta de contato frequente, a tia disse que enviava mensagens aos responsáveis legais de Marta para saber como a adolescente estava e sempre recebia a mesma resposta: “ela estava bem”.
G1RO
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