Quarta-feira, 26 de agosto de 2026 - [email protected]


Nem no próprio nome: candidato recorre a “Bolsonaro” para tentar se apresentar ao eleitor


- Advertisement -
Divulgação Instagram

TRE-RO mantém uso do sobrenome ligado ao ex-presidente, mas episódio levanta uma questão incômoda: afinal, quem é Bruno Scheid sem o nome emprestado?

A Justiça Eleitoral de Rondônia rejeitou mais um pedido para impedir que Bruno Scheid, candidato ao Senado, utilize o sobrenome “Bolsonaro” durante a campanha. Com isso, ele segue autorizado a se apresentar eleitoralmente como Bruno Bolsonaro Scheid.

A decisão do TRE-RO encerra, ao menos por enquanto, mais um capítulo da disputa jurídica envolvendo o nome. Mas, fora dos tribunais, permanece uma discussão que dificilmente será resolvida por uma decisão judicial: por que um candidato precisa se apoiar tanto no nome de outra pessoa para construir sua própria identidade política?

Scheid tem o direito de usar o nome, segundo o entendimento mantido pela Justiça Eleitoral. Sua defesa argumenta boa-fé, proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro, existência de procuração e notoriedade do nome utilizado.

Tudo isso pode até sustentar juridicamente a utilização do sobrenome.

Politicamente, porém, a história é outra.

- Advertisement -

A eleição para o Senado deveria colocar o eleitor diante das ideias, da trajetória, das propostas e da capacidade de representação de quem pretende ocupar uma das cadeiras mais importantes do Congresso Nacional. Mas, no caso de Bruno Scheid, o debate acabou girando, repetidamente, em torno de uma palavra que sequer faz parte de seu nome de nascimento: Bolsonaro.

E é justamente aí que está a contradição.

Se o candidato possui força política própria, trajetória suficiente e capacidade de convencer o eleitor de Rondônia, por que a necessidade de transformar a ligação com Bolsonaro em parte central de sua identidade eleitoral?

A pergunta é simples: Bruno Scheid se garante no próprio nome?

Ou acredita que, sem o sobrenome politicamente mais conhecido, teria dificuldades para alcançar a notoriedade necessária em uma disputa pelo Senado?

A defesa comemora o fato de o TRE-RO ter reconhecido elementos que permitem a continuidade do uso do nome. Mas uma autorização judicial não resolve o problema político de um candidato que parece precisar constantemente reafirmar sua associação com uma figura nacional para se diferenciar dos demais concorrentes.

Não se trata de discutir se Bruno Scheid pode ou não admirar, apoiar ou manter proximidade com Jair Bolsonaro. Alianças políticas são legítimas e fazem parte da democracia.

A questão é outra: uma coisa é receber apoio político; outra é praticamente incorporar o nome do apoiador à própria candidatura.

O eleitor rondoniense tem o direito de saber quem é o candidato que pretende representá-lo em Brasília, quais são suas propostas, qual será sua atuação diante dos problemas do Estado e que tipo de mandato pretende exercer.

Porque Bolsonaro não será senador por Rondônia.

Quem pretende ocupar a cadeira é Bruno Scheid.

E, mais cedo ou mais tarde, o candidato terá de demonstrar que consegue sustentar uma candidatura — e eventualmente um mandato — com a própria identidade, a própria voz e o próprio nome.







Noticias