Depois de meses de investigação detalhada, a Polícia Civil de Rondônia conseguiu esclarecer um crime que chocou moradores dos distritos de Extrema e Nova Califórnia.
O fazendeiro João Paulino da Silva Sobrinho, conhecido como “João Sucuri”, foi assassinado em uma emboscada na manhã do dia 29 de abril de 2025.
O inquérito foi conduzido pela delegada Keity Mota Soares, da 9ª Delegacia de Polícia de Extrema, com apoio da equipe da 2ª Delegacia de Polícia de Porto Velho e do Departamento de Polícia Metropolitana (DEPOM). O trabalho investigativo envolveu diversas diligências e cooperação entre forças de segurança de diferentes regiões.
Ataque violento e ato de extrema crueldade
Segundo as apurações, o fazendeiro e um funcionário foram surpreendidos por um grupo de cinco a seis homens armados e encapuzados. Durante a emboscada, o vaqueiro acabou atingido de raspão, mas conseguiu fugir pela mata e escapar da execução.

João Sucuri, no entanto, foi atingido por vários disparos que provocaram graves ferimentos na cabeça e no rosto, levando à morte no local. Após o assassinato, os criminosos ainda cometeram um ato de extrema brutalidade: a orelha esquerda da vítima foi cortada e levada pelos executores como forma de intimidação.
As investigações também apontaram que, logo após o crime, o grupo invadiu a sede da fazenda. No local, mulheres e crianças — entre elas um bebê de apenas dois meses — foram feitos reféns. Os criminosos exibiram a orelha da vítima para a família, espalhando terror antes de incendiar veículos e parte da propriedade.
Investigação chegou até o Acre
A elucidação do caso exigiu meses de trabalho e cooperação entre forças policiais. Parte das diligências ocorreu no estado do Acre, onde foram levantadas informações sobre integrantes do grupo criminoso responsável pela execução.
Com apoio da Polícia Civil e da Polícia Militar acreanas, foram realizadas operações e cumpridos mandados de busca e apreensão em cidades da região de fronteira, incluindo ações ligadas à Operação Lei da Fronteira, em Plácido de Castro. As investigações indicam que os executores teriam ligação com a facção criminosa Comando Vermelho.
Mandante preso e outros envolvidos identificados
A investigação apontou que o crime foi planejado e financiado por um fazendeiro vizinho da vítima. Nilson Pereira dos Santos foi preso e é considerado o mandante da execução. De acordo com a polícia, a motivação seria vingança, já que ele responsabilizava João Sucuri pela morte de seu filho ocorrida em 2024.
Outra pessoa presa preventivamente é Auricleia Souza Ferreira, conhecida como “Theinha”, moradora do Acre. Ela foi identificada por meio de perícia grafotécnica como autora de bilhetes com ameaças deixados no local do crime e também teria recebido parte do dinheiro pago pela execução.
Três suspeitos continuam foragidos
Apesar das prisões, três investigados ainda são procurados pela Justiça. A Polícia Civil divulgou as fotografias dos suspeitos para ajudar na identificação e captura:
Jaime Vilchez de Souza
Kenas de Carvalho Ferreira
Elves de Carvalho Ferreira
Polícia pede ajuda da população
A Polícia Civil reforça que qualquer informação que possa ajudar a localizar os foragidos pode ser repassada de forma anônima pelo telefone 197, canal de denúncia da instituição.
O sigilo do denunciante é garantido. As autoridades ressaltam que a colaboração da população é fundamental para retirar criminosos de circulação e garantir que todos os envolvidos respondam pelo crime.
O Madeira
