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12 junho 2026

Sexta-feira, 12 de junho de 2026 - [email protected]


Especialista aponta retomada positiva para pecuária e leite durante palestra que reuniu grande público na 38ª Expocol


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A programação técnica da 38ª Expocol teve um de seus momentos mais aguardados na manhã desta sexta-feira (12), com a realização da palestra “Perspectiva de Preços da Pecuária de Corte e do Leite para os Próximos Anos”, ministrada pela zootecnista Isabella Cavalcante, coordenadora de Mercado Pecuário da Agrifatto, empresa referência nacional em inteligência de mercado para o agronegócio.

Realizado no Tatersal de Leilões do Parque de Exposições de Colorado do Oeste, o evento reuniu um público expressivo formado por produtores rurais, empresários, representantes de instituições financeiras, lideranças políticas, técnicos, acadêmicos e estudantes do Instituto Federal de Rondônia (IFRO), consolidando-se como um dos principais momentos de debate técnico da feira.

Durante a apresentação, Isabella abordou o cenário atual da pecuária brasileira, as tendências para os mercados de carne bovina e leite e os desafios que produtores enfrentarão nos próximos anos. Segundo ela, o setor vive um momento importante de transição.

“Estamos passando por uma mudança no ciclo pecuário. É fundamental que o produtor tenha acesso à informação para entender o que fazer daqui para frente, principalmente em relação à gestão do boi gordo, do bezerro e também da atividade leiteira. Viemos de um período bastante difícil para quem produz, mas as perspectivas para este ano são mais positivas”, afirmou.

Rondônia ganha protagonismo no cenário nacional

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Ao falar sobre o mercado regional, a especialista destacou o crescimento da pecuária rondoniense e o avanço da tecnificação das propriedades no estado.

Segundo Isabella, embora os conceitos e análises nacionais sejam importantes para compreender o comportamento do mercado, é essencial observar as particularidades de cada região.

“Rondônia vem ganhando cada vez mais espaço dentro da pecuária brasileira. Há alguns anos a arroba praticada aqui estava entre as mais baratas do país. Hoje já observamos uma valorização maior, resultado do empenho dos produtores e da evolução tecnológica da atividade no estado”, explicou.

Para ela, a combinação entre informações nacionais e dados regionalizados permite que o produtor tome decisões mais seguras e alinhadas à realidade local.

Mercado do leite ainda enfrenta desafios

Um dos temas que mais despertou interesse dos participantes foi a situação da cadeia leiteira. Durante a entrevista concedida após a palestra, Isabella comentou uma das principais reclamações dos produtores: a diferença entre a queda dos preços pagos ao produtor e os valores praticados no varejo.

Segundo a especialista, existe um intervalo entre as variações do mercado e os reflexos percebidos pelos diferentes elos da cadeia produtiva.

“Existe uma certa falta de sincronização nesse processo. O produtor demora para sentir os reflexos positivos de uma recuperação do mercado e o consumidor também demora para perceber reduções nos preços dos produtos. A indústria costuma trabalhar com um período de processamento e comercialização que acaba retardando esses repasses para ambas as pontas”, explicou.

Informação e conhecimento são ferramentas indispensáveis

Questionada sobre o espaço para produtores que ainda trabalham com pouca tecnologia ou sem acesso a ferramentas modernas de gestão, Isabella foi enfática ao destacar a importância da atualização constante.

Embora reconheça que a tecnificação exige investimentos e nem sempre o crédito esteja disponível, ela considera o acesso à informação um fator indispensável para a permanência no mercado.

“A atualização é um passo fundamental. Nem sempre é possível investir imediatamente em equipamentos ou estruturas, mas buscar conhecimento é algo que todo produtor precisa fazer. Hoje, a informação é uma ferramenta essencial para manter a competitividade da propriedade”, destacou.

Mais apoio ao produtor rural

Outro tema abordado durante a entrevista foi a necessidade de fortalecimento das políticas públicas voltadas ao agronegócio.

Na avaliação da especialista, o Brasil possui enorme potencial produtivo, mas ainda carece de incentivos mais robustos para os produtores rurais.

“Quando observamos outros países, percebemos um apoio governamental muito maior ao setor produtivo. O Brasil tem capacidade para alimentar boa parte do mundo, mas ainda falta um olhar mais atento e investimentos que fortaleçam quem está produzindo no campo”, afirmou.

Papel das entidades é fundamental

Isabella também destacou a importância das entidades representativas na difusão de conhecimento e na aproximação entre produtores e especialistas.

Segundo ela, iniciativas como a promovida pela Associação dos Criadores de Colorado do Oeste (ASCOL), responsável por viabilizar a palestra durante a Expocol, são fundamentais para o desenvolvimento do setor.

“Sem informação e sem esse contato direto, fica muito difícil acompanhar as mudanças do mercado. O trabalho realizado pelas associações, promovendo esse intercâmbio de experiências e trazendo especialistas para dialogar com os produtores, é extremamente importante”, ressaltou.

Ao final da palestra, a especialista agradeceu o convite e reforçou a importância de eventos como a Expocol para o fortalecimento da pecuária regional.

Com auditório lotado e participação ativa do público, a palestra confirmou o papel da Expocol não apenas como vitrine do agronegócio, mas também como espaço de qualificação e debate sobre os desafios e oportunidades que irão moldar o futuro da produção rural em Rondônia e no Brasil.

 

 







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