
Missão empresarial liderada pelo Sebrae fortalece a promoção do pescado rondoniense durante o International Fish Congress 2026, em Foz do Iguaçu
A participação de Rondônia na 8ª edição do International Fish Congress & Fish Expo Brasil (IFC Brasil 2026), realizada entre os dias 2 e 4 de setembro, em Foz do Iguaçu (PR), reforçou uma estratégia que vem consolidando a identidade do pescado rondoniense no mercado nacional: a valorização do Tambaqui do Vale do Jamari, produto que busca ampliar sua presença comercial apoiado em atributos de origem, qualidade e diferenciação associados à Indicação Geográfica (IG).
A missão empresarial organizada pelo Sebrae reuniu 14 participantes, entre produtores e parceiros da cadeia produtiva, em uma programação voltada à troca de experiências, geração de negócios e fortalecimento da cadeia aquícola do estado.
Para a gestora da missão e analista do Sebrae em Ariquemes, Rozangela Sena, a participação no maior encontro da cadeia do pescado da América Latina reforça o posicionamento de Rondônia como referência na produção de peixes nativos.
“Estar na IFC 2026, ao lado dos nossos piscicultores, é uma oportunidade de mostrar ao Brasil a força da piscicultura rondoniense. Por meio do Projeto Tambaqui Vale do Jamari +IG, realizado em parceria com a Acripar, estamos fortalecendo os produtores, ampliando conexões e abrindo novas oportunidades para a cadeia produtiva. Rondônia já é referência na produção de tambaqui, e nosso desafio agora é transformar esse potencial em mais valor, competitividade e acesso a mercados”, destacou.
IG como diferencial competitivo
Ao longo da programação do congresso, Rondônia apresentou ao público especializado um modelo de desenvolvimento baseado na valorização da origem, da qualidade e da organização da cadeia produtiva. Nesse contexto, a Indicação Geográfica desponta como uma ferramenta estratégica para diferenciar o tambaqui produzido na região do Vale do Jamari, agregando valor ao produto e ampliando sua competitividade.
O trabalho desenvolvido pelo Sebrae em parceria com a Associação dos Criadores de Peixes de Rondônia (Acripar) busca fortalecer a identidade territorial do pescado e evidenciar características que tornam o tambaqui produzido no estado reconhecido nacionalmente pela qualidade e pelo desempenho da cadeia produtiva.
A participação no IFC permitiu que produtores e parceiros apresentassem esse modelo a empresários, pesquisadores, investidores, compradores e representantes dos diversos elos da cadeia do pescado, ampliando conexões e oportunidades de negócios.
Visita técnica amplia troca de experiências
Antes da programação do IFC Brasil 2026, os participantes da missão empresarial promovida pelo Sebrae em Rondônia realizaram uma visita técnica à Agrofish, em Marechal Cândido Rondon (PR), uma das referências da piscicultura na região Oeste do Paraná.
A atividade reuniu piscicultores rondonienses em uma imersão voltada à troca de experiências sobre produção, manejo, gestão e tendências do mercado aquícola. A iniciativa permitiu aos participantes conhecerem de perto práticas adotadas pela empresa e discutir soluções que podem contribuir para o fortalecimento da piscicultura em Rondônia.
A visita integrou a programação da Missão IFC e teve como objetivo ampliar o acesso dos produtores a conhecimentos técnicos e experiências bem-sucedidas do setor, preparando o grupo para os debates e oportunidades gerados pelo maior encontro da cadeia do pescado da América Latina.
O piscicultor Angelo Pieretti, de Ariquemes (RO), destacou os aprendizados obtidos durante a visita.
“A Agrofish trabalha com produção de tilápia em alta densidade, e para nós está sendo incrível conhecer essa realidade. É muito interessante observar a diferença em relação ao nosso sistema de produção em Rondônia e ver como eles conseguem resultados por meio da intensificação com aeradores e da automação da alimentação dos peixes. Esse intercâmbio tem sido um aprendizado muito importante para levarmos novas tecnologias e informações ao estado e, assim, potencializarmos ainda mais a nossa produção”, afirmou.
Mulheres da piscicultura também ganham espaço no congresso
A missão empresarial de Rondônia também esteve representada em um dos painéis voltados ao protagonismo feminino na aquicultura. No dia 3 de setembro, durante o 9º Encontro Mulheres das Águas, realizado na programação do Congresso Internacional de Aquicultura, a piscicultora Rafaela Rigotti Vilella, de Machadinho d’Oeste (RO), participou do debate sobre empreendedorismo e liderança feminina.
O encontro reuniu representantes do Brasil, Paraguai e Argentina para compartilhar experiências sobre gestão, inovação, desafios da produção e a crescente participação das mulheres na cadeia produtiva do pescado.
Ao lado de Rafaela, participaram da discussão a piscicultora paraguaia Juana Lara de Martínez; a presidente da Associação de Produtores de Pescado do Bajo Monday (APROM), Jaqueline Farias Sosa; a especialista argentina em sistemas de bioflocos Linda Marcela Velazquez; além das produtoras Avelina Ferro, de Alvorada do Sul (PR), e Ida Steffler, de São Miguel do Iguaçu (PR).
A participação da produtora rondoniense reforçou a presença do estado em diferentes espaços estratégicos do IFC Brasil 2026, ampliando a visibilidade da piscicultura local não apenas na área comercial e gastronômica, mas também nos debates sobre liderança, empreendedorismo e sucessão no setor aquícola.
Durante o painel, Rafaela compartilhou sua experiência à frente da atividade e os desafios enfrentados pelas mulheres no setor.
“Como mulher jovem, acredito que o desafio é ainda maior quando se trata de conquistar credibilidade e confiança em um setor com predominância masculina. Nem sempre é fácil, mas é preciso demonstrar firmeza e segurança. Sei que existem situações em que preciso me posicionar de uma determinada forma para conseguir acesso a informações e oportunidades que, muitas vezes, os homens conquistam com mais facilidade. Mesmo assim, procuro transmitir confiança e credibilidade e não tenho vergonha de ser jovem nem de ser mulher. Pelo contrário, isso também faz parte da minha trajetória como produtora e empreendedora”, ressaltou.
Gastronomia aproxima mercado e consumidores
Um dos principais momentos da participação rondoniense ocorreu durante a programação gastronômica do congresso. A Acripar participou da Cozinha Show com a apresentação da costelinha de tambaqui, seguida da realização do tradicional Festival do Tambaqui, ação realizada em parceria com o Sebrae.
A iniciativa funcionou como uma vitrine para demonstrar a versatilidade do pescado e ampliar o conhecimento sobre diferentes formas de consumo do produto. Cortes como a costelinha e a tradicional banda de tambaqui foram apresentados ao público, destacando características que vão além da produção aquícola e alcançam o campo da gastronomia.
Ao utilizar a culinária como ferramenta de promoção, a estratégia permite aproximar o consumidor do produto e criar experiências capazes de transmitir, de forma prática, atributos como sabor, textura, rendimento e potencial de mercado.
Para o presidente do IFC Brasil 2026, Altemir Gregolin, o festival ajuda a consolidar o tambaqui como um dos principais peixes cultivados no país.
“Este já é o sexto Festival do Tambaqui realizado dentro do IFC Brasil, e o resultado deste ano está extraordinário. O tambaqui apresentado ao público está suculento, saboroso e mostra toda a qualidade desse pescado. Sou um grande defensor do tambaqui e costumo dizer que ele tem a cara do Brasil, inclusive pelas suas cores. O consumo vem crescendo no país e também em outros mercados. Tenho convicção de que o Brasil pode se tornar o maior produtor mundial de tambaqui. É uma espécie com enorme potencial de mercado, e por isso parabenizo a Acripar e o Sebrae pelo trabalho incansável de fortalecimento dessa cadeia produtiva”, afirmou.
Construção de mercado
A presença no IFC Brasil também reforça uma agenda de posicionamento que vem sendo desenvolvida em diferentes espaços nacionais e internacionais. Nos últimos anos, Sebrae, Acripar e parceiros da cadeia produtiva têm investido na promoção do tambaqui rondoniense em feiras, missões empresariais e eventos voltados à abertura de mercados.
Essa estratégia busca fortalecer não apenas a produção, mas principalmente a agregação de valor ao pescado por meio de ações ligadas à qualidade, inovação, diferenciação de produtos e fortalecimento da identidade territorial.
Nesse cenário, a Indicação Geográfica surge como um instrumento capaz de conectar o produto ao território onde é produzido, transformando características regionais em vantagem competitiva para os piscicultores.
Rondônia como referência em peixes nativos
A participação no IFC Brasil 2026 consolida o protagonismo de Rondônia na produção de peixes nativos e fortalece o trabalho desenvolvido junto aos produtores do Vale do Jamari. Ao reunir conhecimento técnico, relacionamento comercial e promoção gastronômica, a missão permitiu apresentar ao mercado um produto que carrega atributos de qualidade, origem e identidade regional.
Mais do que divulgar um pescado, Rondônia apresentou uma estratégia de desenvolvimento baseada na valorização do território e na organização da cadeia produtiva. A experiência no congresso reforçou que o tambaqui do estado possui potencial para ampliar sua presença em novos mercados e consolidar sua posição como uma das principais referências da piscicultura brasileira.
Assessoria

