
Após mais de três décadas atuando no setor funerário de Vilhena, o empresário Ademilson de Gouveia Silva, o Nino, fundador da Funerária São Mateus, fez duras críticas ao poder público municipal ao comentar os desafios enfrentados pelas empresas que atuam na área.
Durante entrevista, Nino afirmou que, além das dificuldades naturais de uma atividade que funciona 24 horas por dia e lida diretamente com a dor das famílias, o setor enfrenta obstáculos criados pela própria administração pública.
Segundo ele, a falta de uma legislação específica em âmbito federal e estadual deixa as empresas sujeitas às constantes mudanças de regras impostas pelos municípios.
“Hoje, um dos maiores desafios do setor é ter que pedir bênção para secretários, vereadores e comissões da prefeitura que não ajudam em nada, mas atrapalham muito o serviço. Isso nos sufoca”, declarou.
Críticas à legislação municipal
Nino afirma que o serviço funerário é uma atividade altamente regulamentada pelos municípios, mas que muitas vezes as normas são criadas sem diálogo com quem atua diariamente no setor.
Na avaliação do empresário, isso gera insegurança para os investimentos e dificulta o planejamento das empresas.
“A gente dorme com uma lei e acorda com outra. Muitas vezes os vereadores não entendem do assunto, não querem entender, e acabam aprovando leis sem conhecer a realidade do setor”, afirmou.
Ele também criticou o que considera excesso de burocracia.
“Tem sido uma penitência trabalhar e desenvolver o serviço funerário sendo obrigado a se submeter a todo tipo de capricho administrativo.”
Situação do cemitério municipal
Outro tema abordado por Nino foi a gestão do cemitério municipal de Vilhena.
Segundo ele, embora ainda existam espaços para sepultamentos, decisões administrativas estariam dificultando a utilização de jazigos já existentes.
“O secretário que estava à frente do setor proibiu que as famílias façam mais de dois sepultamentos no mesmo jazigo. Isso gerou uma grande polêmica”, disse.
Para o empresário, parte da atual discussão sobre falta de espaço poderia ser amenizada com medidas de gestão e planejamento.
Ele também defendeu a necessidade de o município voltar a investir em alternativas públicas para atender a população de menor renda.
Cemitérios particulares ajudam, mas não substituem o público
Nino avalia positivamente a chegada dos cemitérios-parque privados a Vilhena, mas considera que eles não resolvem sozinhos a demanda do município.
Para ele, os dois modelos precisam coexistir.
“Os cemitérios particulares vão contribuir muito para a cidade, mas não atendem toda a população. O município precisa continuar oferecendo uma alternativa pública para quem não tem condições de arcar com outros custos”, argumentou.
Segundo o empresário, os cemitérios-parque oferecem uma estrutura moderna e paisagística diferenciada, enquanto o cemitério público continua sendo essencial para garantir acesso universal aos serviços funerários.
Falta de diálogo
Ao longo da entrevista, Nino também demonstrou insatisfação com a relação entre o setor funerário e parte da estrutura administrativa municipal.
Segundo ele, empresários da área frequentemente enfrentam dificuldades para apresentar demandas e discutir soluções.
“Nós sofremos muito preconceito e discriminação. Muitas vezes o nosso sofrimento é provocado justamente por quem recebe para fiscalizar e orientar o setor”, afirmou.
Apesar das críticas, ele defende que haja mais diálogo entre empresários, poder público e sociedade para discutir o futuro dos serviços funerários e da infraestrutura de sepultamentos em Vilhena.
Preocupação com o futuro
Após 32 anos trabalhando na atividade, Nino acredita que o setor precisa de regras mais estáveis e planejamento de longo prazo.
Segundo ele, a ausência de políticas públicas específicas pode comprometer tanto o funcionamento das funerárias quanto a gestão dos espaços destinados aos sepultamentos.
“É preciso pensar no futuro da cidade. O setor funerário é um serviço essencial e precisa ser tratado com mais seriedade, planejamento e responsabilidade”, concluiu.
Folha de Vilhena


