Max Weber e a política em Vilhena, por Ivanor Luiz Guarnieri
Falecido em 1920, o famoso sociólogo alemão Max Weber tem algo importante para o eleitor vilhenense de hoje. Em sua obra, “Ciência como vocação”, apresenta alguns elementos que podem ser úteis para pensar em Josué Donadon, José Rover ou Luizinho Goebel que são os que se apresentam no momento como disputantes ao cargo máximo do executivo da “Cidade Clima”.
O eleitor poderá pensar que a política serve para eleger nossos representantes. Ao menos esse é o discurso usado para caracterizar a democracia. Efetivamente, contudo, os ditos representantes políticos representam primeiro a si mesmos e à constelação política da qual fazem parte. Constelação política são aquelas pessoas, pertencentes a determinado partido, que tendo influência política, econômica, ou as duas juntas, decidem quem apoiar para os cargos eletivos. A capacidade de mandar e influenciar pessoas tem sua origem no poder de decidir os destinos do partido e de nomear para cargos públicos em eleições vitoriosas.
Por que alguém iria querer sacrificar parte de seu tempo e de sua vida em favor da causa do povo? Povo é uma palavra que anda na boca de políticos há tempo. Ganha ressonância nos palanques e discursos. Mas povo mesmo é uma abstração. Poucos se reconhecem do povo. Em um sistema econômico individualista, cada um trata de si. Mesmo os dirigentes políticos estão preocupados mais consigo mesmos e com seus cargos. Aderir à política, a este ou aquele partido é uma opção que tem mais a ver com possibilidades de distribuição de cargos do que com organização do social.
Como ensina Weber, “assim, aos olhos de seus aderentes, os partidos aparecem, cada vez mais, como uma espécie de trampolim que lhes permitirá atingir este objetivo essencial: garantir o futuro”. Para políticos profissionais os partidos se apresentam como caminho para o acesso aos cargos eletivos. Uma vez assumido o cargo, a possibilidade de realizar as sonhadas nomeações. A retribuição material e o prestígio social advindos dessas nomeações são o grande estímulo para a sujeição às longas campanhas eleitorais, aos desaforos de costume e ao beija mão necessário. Ajudar alguém a se eleger para conseguir benesses públicas, pouca coisa pode ser apontada como mais velha que isso em política. Os acordos feitos sobre quem poderá ser candidato, discussões sobre cargos e nomeações caso o grupo político seja vitorioso, levou Weber a afirmar que “irritam-se os partidos muito mais com arranhões ao direito de distribuição de empregos do que com desvios de programas”. Lutam para vencer, e vencer para dividir entre si os cargos.
No lado prático, as coligações servem para definir quem irá compor o novo governo, caso a tal constelação política seja vitoriosa. Em São Paulo, no apoio a candidatura de Fernando Haddad do PT, Lula buscou o até então pintado com inimigo, Paulo Maluf. A senhora Luiza Erundina, então candidata a vice de Haddad desistiu de ser vice. A alegação é a já conhecida, de que Maluf é direita, fisiologista, e outras mais. Mas um olhar mais desconfiado pode indicar que houve racha na divisão de cargos. Um político do peso de Maluf e seu partido de dentes devoradores de cargos pode ter comprometido o equilíbrio dos acordos internos da campanha Haddad.
Aqui em Rondônia, pelos que ensina Weber, é possível compreender a nomeação de secretários para determinadas pastas, para as quais não tem nem proximidade. Sem discutir o mérito de seus acertos e erros, os secretários são, muitas vezes, indicados ou combinados com o governador antes de este ser governador. É dado apoio político ao candidato esperando algo em troca, esse algo pode ser uma secretaria do governo, de preferência com grande orçamento.
Pelos lados de Vilhena a impressão que dá é que os candidatos surgem do nada. Mas nos partidos, conversas e acordos, as candidaturas vão sendo costuradas de algum tempo. A família Donadon luta por manter as coisas em família. Claro que terá de ceder alguma coisa para pessoas de outros sobrenomes, desde que isso seja vantajoso e resulte em apoio e votos. Luizinho Goebel e José Rover também precisam de apoio. Sobre os candidatos o eleitor pode começar a pensar o que eles darão, depois de eleito, àquelas pessoas que hoje os apoiam.
Isso faz parte da difícil arte política. Arte de artistas, ou de arteiros.

















