Até quando vamos fazer de conta? Vamos agir como crianças ingênuas e nos enganar. Até quando vamos ficar levando porrada!
É com um grande mal estar que escrevo este rascunho em forma de artigo, onde mais uma vez sou levado a conclamar os produtores culturais, artistas, escritores, professores e demais agitadores culturais para a realidade dos nossos patrimônios públicos.
Quando acordaremos verdadeiramente, e deixaremos de ocupar o centro do picadeiro, embaixo da grande lona na triste interpretação do palhaço pobre, ignorante e sem graça?
Veja a realidade do Real Forte do Príncipe da Beira. Cemitério da Candelária. As locomotivas e vagões da Madeira Mamoré. Os restos mortais do que foi um dia postos telegráfico da expedição Rondon. A igreja de Santo Antonio. Os marcos divisórios entre o que era o Amazonas e o Mato Grosso. Os vários sítios arqueológicos desse estado. Os galpões da Madeira Mamoré que acabaram de receber investimentos milionários… Com tamanho descaso, abandono, políticas casuísticas, eleitoreiras que pregam restaurações e não passam de maquiagens estúpidas e baratas.
Que as políticas estatais são vagabundas e destituídas de seriedade e capricho nessas barrancas, todos nós sabíamos, porém ver duas dezenas de artistas ajudando na maquiagem de uma locomotiva como se fosse a salvação do pobre e podre patrimônio é demais.
Quero acreditar que foi pura ingenuidade, vontade adolescente de fazer algo, atitude cidadã infantil e primária de boa fé.
Meus queridos amigos de militância cultural, até quando vamos nos enganar com essas iniciativas que colaboram tanto para o retardo de uma ação verdadeira e revolucionária em favor da proteção, revitalização, conservação e construção de sentidos e significados para o nosso patrimônio.
Querido Chicão, Secretário Estadual de Cultura, membro do antes combativo PC do B. Onde está aquele militante dos sonhos e desejos de revolução. Será que aquele Chicão existiu? Quero humildemente acreditar que sim, porém ele se encantou com a “realidade” do poder e passou a atuar, simplesmente como mais um.
Atuar como os demais que ocuparam a cadeira de Secretário de Estado da Cultura por conta das “concessões partidárias”, geradas nos esforços de eleição desses ou daqueles candidatos.
O membro do partido revolucionário convoca pintores para deixarem a locomotiva bonitinha para o aniversário de cem anos de apodrecimento da mais significante obra férrea do planeta.
Pintores atenderam ao aclamado chamado como se estivessem cumprindo uma tarefinha escolar da professora má da pré-escola.
Com todo respeito, não dá para engolir, não dá para aceitar e acreditar que a consciência política militante e combativa dos nobres artistas plásticos prestou-se a essa tarefa.
Chega, vamos desmontar o circo.
Quando vamos discutir políticas verdadeiras de preservação do patrimônio? Quando vamos cobrar desse governo política de Estado realmente comprometida e contrária a todo o degredo ocorrido até o presente momento?
Tenho acompanhado os textos do Cândido, Marcos Teixeira, Antônio Serpa do Amaral Filho (Basinho), Lúcio Albuquerque, Sandra Castiel, Professor Abnael Machado, Matias Mendes, Francisco Matias e tantos outros que lutam no sentido de construção de um combate sério, franco e honrado em favor da reversão de tão profundo quadro de abandono e descaso deste pobre patrimônio cultural, principalmente no pós – usinas.
A ingenuidade nos faz crer que o centro das atenções deixou de ser a mudança real e passamos a fazer aquilo que eles determinam como o “possível”, pois o orçamento não permite. A realidade financeira não permite. O querer e desejar profundamente, nunca foi poder verdadeiramente.
Embarcamos na prática do remendo, da ação paliativa e porca que tanto criticamos um dia e assumimos os discursos daqueles que nunca se comprometeram com a verdadeira causa da cultura brasileira e rondoniense, discursos que tanto criticamos, reprovamos e vaiamos.
Muitos dos nobres escritores e articulistas se entristeceram com tal notícia, soltaram um sorriso amarelo e sem graça.
O ato de pintura da locomotiva me faz lembrar os hipócritas jogos históricos do estado brasileiro em relação à necessidade de transformações reais e necessárias desse pobre país.
Lembro que esse episódio, de alguma forma, se sintoniza com as ideias que geraram a campanha contra a fome do Betinho, irmão do Henfil, alguns programas de reflorestamentos de empresas como a Monsanto, as ajudas humanitárias de programas como “o criança esperança” da rede globo e os mais diferentes incentivos ao trabalho voluntário em projetos dirigidos por empresas e classe média-alta.
A degradante política do “pare de se queixar e comece a fazer a diferença”. Idéias que escondem a real responsabilidade das grandes empresas na destruição do meio-
ambiente, a responsabilidade do estado criador de desemprego, desigualdades e profunda crise social e todos os males existentes.
Essa prática de política cultural é maravilhosa para uma nação governada pela cultura do degredo e corrupção. Governos descomprometidos com a educação em todos os níveis, segurança pública, geração de empregos qualificados e todo o tipo de mazela.
O “cada um faz o que pode” retira do Estado sua real responsabilidade na geração de políticas que atendam para as necessidades reais do país, impede também a luta e militância em busca da transformação da sociedade, pois despolitiza as pessoas.


















ameiiiiiiiiiii és muito inteligente abraços .